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MERCADO DE RECICLAGEM DE VEÍCULOS GANHA INCENTIVO

O Cefet-MG instalou uma unidade de reciclagem automotiva
A sanção da Lei 23.592, que dispõe sobre o Programa de Reciclagem de Resíduos Veiculares (PRRV), pelo governador de Minas Gerais, promete fôlego a um novo mercado dentro do segmento automobilístico em Belo Horizonte: reciclagem de automóveis.

A medida busca incentivar a progressiva substituição dos carros considerados obsoletos (com mais de 20 anos de fabricação), mediante facilidades para aquisição de veículos novos que utilizem tecnologias ambientalmente sustentáveis.

Neste sentido, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), junto com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) e a empresa japonesa Kaiho Sangyo, que trouxeram à Capital a primeira Unidade Piloto de Reciclagem Automotiva (Upra) da América Latina, sai na frente. A planta foi instalada no Campus II do Cefet-MG no ano passado e teve investimento de US$ 1 milhão.

De acordo com o professor de engenharia mecânica e coordenador do projeto, Daniel Enrique Castro, a planta está preparada para treinamentos da atividade, a partir de tecnologias japonesas, o que poderá agregar ainda mais valor no contexto do tema. Por outro lado, ele lembrou que é preciso analisar outros pontos da lei, de maneira a entender o que poderá ou não viabilizar a demanda.

"Precisamos entender melhor como estes veículos chegarão à unidade, inclusive os que já estão sob guarda do Estado e já deveriam ter sido reciclados. O novo marco precisa trabalhar todas estas questões", afirmou.

O processo de reciclagem de carros já acontece há alguns anos no Japão com tecnologia de ponta, conforme explica o professor. Enquanto em outros países os processos de reciclagem resultam no reaproveitamento de cerca de 70% dos veículos, naquele país o resultado chega a 95%. A planta mineira tem cerca de 500 metros quadrados e equipamentos com capacidade para fazer a reciclagem de 25 a 30 carros por dia.

"A lei pode ser um divisor de águas para a consolidação deste mercado em Belo Horizonte, Minas Gerais e até no Brasil, pois aqui não é uma realidade. Por isso, a demanda ainda é pontual, apenas a partir de trabalhos acadêmicos e veículos doados pela Fiat e outras empresas, mas poderá ser expandido", explicou.

Conforme publicado no Minas Gerais, a norma incidirá tanto sobre os resíduos sólidos quanto sobre carcaças de veículos automotores abandonados. Segundo o texto, além de melhorar a segurança no trânsito, o PRVV pretende contribuir com a geração de empregos e na melhoria das condições ambientais, por meio da redução do consumo de combustíveis e da emissão de gases poluentes.

A lei prevê também a criação do Fundo de Incentivo à Renovação de Veículos Obsoletos (Firvo). Como recursos do Firvo, são citadas, entre outras fontes de financiamento, dotações consignadas no orçamento do Estado, transferências da União, dos estados e dos municípios para atividades de melhoria ambiental e recursos de ajuda e cooperação internacional.

A norma também institui o Conselho Estadual de Sustentabilidade Veicular (Cesv), com a finalidade de aprovar normas sobre o programa e zelar pela adequada utilização do Incentivo Estadual à Renovação da Frota (Ierf).

Trata-se de um crédito financeiro a ser concedido ao proprietário que entregar seu veículo na rede de revenda credenciada pela montadora, com destinação final ao Centro de Reciclagem Veicular (CRV). A concessão dos créditos respeitará a capacidade financeira do Firvo e terá como gestor o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

O Centro de Reciclagem Veicular (CRV) será voltado para a indústria de reciclagem de veículo automotor. O órgão será responsável pela coleta do carro ou carcaça e pela destinação ambientalmente adequada dos resíduos, no prazo de 30 dias do recebimento. Também cuidará da baixa dos registros dos veículos.

Autor/Fonte*: diariodocomercio

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